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quarta-feira, 17 de junho de 2009

Onda de ataques hacker atinge sites governamentais no Irã

Após a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad as conexões de internet e celulares, no Irã, se tornaram quase impossíveis. Entretanto, manifestantes deram um jeito e conseguiram conexões através de satélites e proxies (um tipo de "camuflagem digital"), noticiando ao mundo a violência e o caos no qual o país está mergulhado, utilizando principalmente o Twitter como ferramenta. Agora, esse mesmo serviço é utilizado para espalhar instruções de invasão e outros hacks em sites do governo iraniano.

Os usuários do serviço de microblogging avisam a todo momento quais os melhores lugares para "furar" e como fazer para se esconder do governo no mundo virtual, usando os proxies. São muitas as mensagens indicando caminhos.

"Nova verificação #Iran Proxy 98.142.210.231:3128 #iranelection Lista Master de proxies em http://is.gd/12fBu", dizia o usuário de nome austinheap. "Você pode utilizar sites como o metacafe e outros para subir vídeos que não entram no YouTube", informa o grupo pró-democracia DDOSIran.

Esse mesmo grupo, que tem DDOS (distributed denial of service, ou ataque distribuído de negação de serviço, na tradução) em seu nome, está orquestrando pelo Tweeter ataques de envios excessivos de informação (floods) em sites do governo. Muitos deles já foram derrubados com a ajuda de internautas dentro e fora do Irã.

"DDOSIran alimenta esta conta do Twitter e eu faço o que eles dizem para derrubar os sites do governo" era uma das muitas mensagens espalhadas no serviço na segunda feira. Outro exemplo: "NOTA aos HACKERS ¿ ataquem www.farhang.gov.ir ¿ por favor tentem hackear todos os sites do governo iraniano. Está muito difícil para nós. #Iranelection".

Vários endereços do governo como leader.ir, ahmadinejad.ir e iribnews.ir já estavam inacessíveis na segunda ¿ alguns ainda estão até agora. E, segundo o blog Danger Room da revista Wired, o ataque já se estende a outros endereços, como o Raja News e o Fars News, ambos sites de notícias.

O informativo WhereIsMyVote.info abre 16 reloads HTML ao mesmo tempo, o que causa um congestionamento fatal em várias páginas do governo. "Nós transformamos o nosso poder coletivo e indignação em uma séria arma que podemos utilizar à nossa vontade, sem medo de represálias. Praticamos uma guerra cidadã, distribuída" declara Matthew Burton, analista de inteligência americano que se juntou aos ataques.

Em seu blog escrito em San Francisco, nos Estados Unidos, Austin Heap ensina várias formas de configurar proxies para que os ativistas passem pelas proteções do governo iraniano. Já o blog Networked Culture produziu um guia de ciberguerra para iniciantes, destinado aos simpatizantes da pró-democracia.

O Networked Culture também dá outras instruções de ajuda. Pede para que as pessoas modifiquem seus locais de origem e horários do Twitter para os de Teerã. Isso torna mais difícil para os agentes do governo encontrar os verdadeiros iranianos.

O site avisa ainda que repostagens excessivas e desnecessárias de tweets não serão bem-vindas, além de pedir a confirmação das fontes das informações. Ainda segundo o Networked Culture, a informação deve ser distribuída de forma discreta, uma vez que os blogueiros do Irã correm perigo real. Por fim, pede também para que quem não entende de ataques DDOS fique fora do processo.

Ataques e polêmica
Os DDOS geram controvérsias. O autor do Page Rebooter, que dá reloads em sites a escolher por tempo indeterminado, tirou-o do ar por algumas horas. O mantenedor alega estar se sentindo desconfortável com o uso da ferramenta na atual conjuntura política. A página só voltou ao ar depois que seus empregados concordaram em arcar com os custos do excesso de tráfego que seria gerado.

Um outro grupo pede o fim dos ataques DDOS, afirmando que esses ataques podem comer o resto da banda disponível e tornar muito mais lenta a conexão usada pela oposição para se comunicar através do Facebook, Twitter e YouTube.

Informações retiradas do próprio Twitter dizem que o governo passou a monitorar o tráfego de mensagens de texto e também os internautas protegidos por proxies, tornando o trabalho de comunicação dos pró-democratas muito mais difícil. Em resposta, eles pedem novos ataques: "O governo iraniano está bloqueando toda a INTERNET/SMS/TELEFONE ¿ enquanto eles fazem isso, cortamos os sites DELES".

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