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terça-feira, 13 de abril de 2010

Apple impõe novos limites a criadores de aplicativos

A Apple está impondo controle ainda mais firme sobre o software que pode ser instalado em seu iPhone e outros aparelhos portáteis, como demonstram suas recentes mudanças nas regras que os programadores devem seguir.

A companhia está envolvida em uma batalha com outros fabricantes de celulares, especialmente de aparelhos equipados com o sistema operacional Google Android, pelos mais recentes e melhores aplicativos, que acrescentam novas funções a um aparelho.

As novas regras, divulgadas na semana passada, determinam, em parte, que os criadores de aplicativos só podem usar ferramentas de programação da Apple. Isso é um problema para a Adobe Systems, que anunciou um novo pacote de ferramentas cujo objetivo era permitir que programadores criem um aplicativo uma única vez e depois automaticamente gerem versões para o iPhone e aparelhos de outras companhias.

Os programadores tampouco terão autorização para utilizar serviços externos a fim de verificar o desempenho de seus aplicativos no mercado. A companhia anunciou que recusará distribuição na iTunes a quaisquer aplicativos que violem o novo acordo.

"A Apple está fazendo tudo para encorajar o desenvolvimento de aplicativos, desde que em sua plataforma", disse Gene Munster, analista da Piper Jaffray. "O risco que a Apple corre é o de irritar os programadores e levá-los a desenvolver software para outras plataformas".

Mas até que as plataformas concorrentes para telefonia móvel ganhem ímpeto, disse, "não existe outro lugar a que os programadores possam ir, e por isso a Apple pode impor os termos que desejar".

A mudança deixa muitas empresas iniciantes e programadores no limbo, esperando para determinar se os seus negócios, muitos dos quais acumularam clientela substancial e receberam investimentos de empresas de capital para empreendimentos, ainda poderão operar sob as novas regras.

"A verdade é que, no momento, não sabemos muita coisa", disse Peter Farago, vice-presidente da Flurry, uma empresa de serviços analíticos com escritórios em Nova York e San Francisco. "Temos uma lista de questões".

O software da Flurry acompanha a forma pela qual os aplicativos para celulares inteligentes são utilizados, e se tornou uma ferramenta popular entre os programadores, que têm acesso a detalhes como o tempo que um jogo demora para ser completado ou quanto demora a leitura de um capítulo de livro eletrônico. Farago diz que sua empresa solicitou esclarecimentos à Apple mas não recebeu resposta.

"Acreditamos que seja possível cumprir as novas normas, com algumas modificações em nosso serviço", disse. "Faremos o necessário para que isso aconteça". Mesmo assim, a companhia está ciente de que talvez seja necessário reconsiderar seu modelo de negócios, disse Farago.

Henry Balanon, o principal programador de uma empresa chamada BickBot, que cria software para o iPhone, disse que não tinha planos imediatos de remover o software da Flurry de seus aplicativos. "Teríamos de incluir nosso próprio software de análise no aplicativo, e isso daria muito trabalho", disse Balanon. "Mas se começarmos a receber rejeições por causa disso, teremos de reconsiderar".

Especialistas setoriais, como Al Hilwa, analista do grupo de pesquisa IDC, afirmam que a Apple está reforçando seu controle sobre aplicativos, em uma tentativa de manter os rivais sob controle.

"Haverá uma briga séria para os programadores e aplicativos, nos próximos anos", disse. "Estamos no primeiro estágio da batalha pela telefonia móvel. O radar financeiro da Apple está ligado, e eles estão tentando cobrir todas as lacunas".

Munster disse que a mudança mais ampla nas fontes essenciais de receita da Apple, dos computadores pessoais para os aparelhos portáteis, era um dos motivos principais para a pressão da empresa sobre os programadores. "A questão não é lucrar com os aplicativos", disse. "Mas ganhar dinheiro com o hardware". Os aparelhos móveis com mais aplicativos são mais atraentes para os compradores.

Pelo final de 2011, disse Munster, cerca de 50% da receita total de vendas da Apple virá do iPhone e do iPod Touch. Em 2001, 80% das receitas totais vinham dos computadores de mesa e laptops Macintosh. Em 2007, a participação deles cairá a 27%, segundo o analista.

A Apple não quis comentar. Mas um programador que cria aplicativos para o iPhone, Greg Slepak, enviou mensagem de e-mail ao presidente-executivo da Apple, Steve Jobs, afirmando que as novas regras "limitavam a criatividade".

"Já passamos por isso", escreveu Jobs em resposta. "As camadas intermediárias entre a plataforma e o programador terminam criando aplicativos de baixa qualidade e prejudicam o progresso da plataforma".

A proibição de uso de ferramentas de programação que não tenham sido criadas pela Apple atraiu resposta agressiva de um funcionário da Adobe. Lee Brimelow, que promove o software Adobe, escreveu em seu blog esta semana que "essa é uma medida assustadora, que não tem outra justificativa racional que não o desejo de controle tirânico sobre os programadores e, mais importante, o desejo de usá-los na cruzada da Apple contra a Adobe".

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