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terça-feira, 26 de abril de 2016

Google Chrome chega à versão 50 em encruzilhada sobre o futuro

 
O navegador Google Chrome acaba de alcançar uma marca importante com sua versão número 50.

Para a empresa de Mountain View, é um momento de reflexão positiva. Para enfatizar o poder do browser, a companhia destaca os 771 bilhões de carregamentos de página por mês, 1 bilhão de usuários mobile ativos por mês, os 9,1 bilhões de formulário preenchidos automaticamente e as 145 milhões de páginas web impedidas.

Além disso, é possível destacar o uso em alta do Chrome, que responde atualmente por 47% de todos os pageviews no mundo, incluindo os aparelhos móveis, segundo a consultoria StatCounter.

Realmente o Chrome tornou-se uma ferramenta indispensável para muitos usuários web e vem atuando como um líder no mundo dos navegadores. Introduziu a ideia de limitar o tumulto no menu em torno de páginas web, e popularizou a sincronização de favoritos, abas e históricos de navegação em diferentes aparelhos. 

Mesmo com todos esses pontos positivos acumulados, o navegador do Google agora se vê em uma encruzilhada. Além de apenas mais uma maneira para navegar pela Internet, não está claro o que o Google quer que o Chrome seja.

Navegador ou plataforma?

No início, os principais objetivos do Google para o Chrome eram velocidade e simplicidade. O sistema de menu mínimo do navegador saiu do caminho, e sua engine baseada em JavaScript acabou com os rivais à medida que os sites ficavam mais avançados.

Essas vantagens são menos destacadas atualmente. Quase todos os outros browsers abraçaram suas próprias limitações e o Chrome não é mais o vencedor indiscutível nos benchmarks. Enquanto isso, as demandas cada vez maiores da web moderna deram ao Chrome a reputação de ser um devorador de recursos e matador de bateria, mesmo que os outros navegadores não sejam muito melhores nisso.

Alguns após o lançamento do Chrome, o Google começou a ampliar suas ambições. Lançou a Chrome Web Store, e eventualmente o conceito de apps nativos do Chrome com funcionalidade offline. Um launcher de apps do Chrome chegou pouco depois, juntamente com notificações por push de serviços web e do Google Now. Esses novos recursos deveriam ter tornado o Chrome em “uma plataforma dentro de uma plataforma” no Windows e no Mac, enquanto transformavam o Chrome OS em um sistema operacional legítimo para desktops.

Mas no último ano o Google abandonou muitos desses esforços. A central de notificações do Chrome morreu no Windows e no Mac, uma vez que o Google considera abraçar as notificações nativas nessas plataformas. A Chrome Web Store vai mal há algum tempo, e o Google mostrou pouco interesse em melhorá-la. E o launcher de apps do Chrome foi abandonado no Windows, Mac e Linux porque não era usado por ninguém.
Quanto ao Chrome OS, seu futuro está longe de estar definido. Apesar de a plataforma possuir tração no segmento de educação, e provavelmente não estar indo embora, um sistema combinado do Chrome com o Android para os usuários finais parece algo provável.

Em meio a todas essas saídas, o Google não introduziu nenhum recurso de destaque no Chrome para desktop. Em vez disso, os desenvolvimentos mais interessantes para navegadores estão acontecendo em browsers como o Microsoft Edge e o Vivaldi.

O Google pode realmente estar mais interessado no Chrome para mobile, agora que o uso de smartphones superou o desktop. Mas em um mundo de apps, Facebook e Instant Articles, a ideia de que os usuários vão passar um tempo significativo em um navegador parece um pouco distante. Talvez por isso a estatística do Google de 1 bilhão de usuários móveis seja a partir de uma base mensal e não diária.

Por isso, com a chegada do Chrome 50, o Google deve se perguntar o que o Chrome está tentando alcançar no momento. O navegador vai se comprometer novamente com seu foco original em velocidade e simplicidade, ou tentará inovar com novos recursos? O Chrome é uma plataforma por si só, ou apenas uma ótima maneira para acessar páginas web? Os destinos das versões web e mobile estão entrelaçados ou separados? Se o Google não conseguir responder essas perguntas, a versão 100 do navegador pode não ter tantos motivos de comemoração.

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