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sexta-feira, 29 de abril de 2016

Uso de tecnologias móveis ainda é desafio para o setor público brasileiro


O e-gov transacional evolui devagar no Brasil. Sobretudo no que diz respeito aos dispositivos móveis, estrelas absolutas nas smart cities. É o que revela a segunda edição da pesquisa TIC Governo Eletrônico, lançada nesta quinta-feira (28) pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) por meio do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).

“No Brasil, 81,5 milhões de pessoas utilizam a Internet pelo celular e 84% delas acessam a rede diariamente por estes dispositivos. Apesar disso, as organizações públicas no País ainda não oferecem muitos recursos para dispositivos móveis. A ampliação desse tipo de iniciativa pode facilitar o acesso a informações e serviços públicos pelos cidadãos”, considera Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br.

Realizada entre julho e outubro de 2015, a pesquisa entrevistou 996 prefeituras e 620 órgãos públicos federais e estaduais. Entre os aspectos analisados, estão a infraestrutura e ferramentas de gestão de TI nas organizações públicas, a presença na Internet por meio de websites e redes sociais, e a disponibilização para a sociedade de serviços públicos, informações e mecanismos de interação online em dois perfis de organizações: órgãos públicos federais e estaduais de todos os poderes (Executivo, Legislativo, Judiciário e Ministério Público) e também nas prefeituras (Executivo Municipal).

Metade dos órgãos públicos federais, 42% dos estaduais e 24% das prefeituras disponibilizam websites adaptados para dispositivos móveis. Mas esses percentuais caem para 21% dos órgãos públicos federais e estaduais e 4% das prefeituras brasileiras quando o assunto passa a ser a oferta de aplicativos para dispositivos móveis.

Aplicativos criados pelo órgão público foram citados por 33% dos órgãos federais e 20% dos estaduais, sendo o Judiciário (39%) e o Legislativo (34%) os poderes que mais citaram esse tipo de iniciativa.

Uma análise que se pode fazer desses dados, é a de que são poucos os serviços transacionais oferecidos pelo poder público ao cidadão por dispositivos móveis. Entre as prefeitos, apenas 8%.

Outros tópicos investigados pela pesquisa foram menos citados: aplicativos criados por empresas ou cidadãos a partir de dados disponibilizados pelo órgão público (19% dos federais e 11% dos estaduais) e envio de SMS para o cidadão (11% dos federais e 10% dos estaduais).

Websites e redes sociais

No que diz respeito à presença na Internet, a pesquisa TIC Governo Eletrônico 2015 mostra as disparidades por região do País. A proporção de prefeituras que possuem website é praticamente universalizada nas regiões Sul (99%), Centro-Oeste (98%) e Sudeste (92%), enquanto a proporção é menor na região Norte (78%) e Nordeste (76%).

Por outro lado, o indicador que mede a presença das prefeituras nas redes sociais apresenta resultados menos discrepantes entre as regiões. A existência de perfil ou conta própria em redes sociais foi citada por 67% das prefeituras do Norte, 66% dos municípios do Nordeste, Sul e Centro-Oeste, e 64% do Sudeste.

Entre as esferas de governo, o Executivo (91%) apresentou o menor percentual de presença na Internet por meio de um website. A pesquisa mostra que 92% dos órgãos públicos federais e 74% dos estaduais possuem perfil ou conta própria em redes sociais. No Judiciário, 99% dos órgãos possuem website e 94% perfil em alguma rede social online.

Mas também entre eles, são poucos os serviços oferecidos aos cidadãos. Segundo Barbosa, um reflexo direto da falta de governança de TI dentro dos órgãos públicos. O uso das TICs para dentro do governo, na automação de processos e fluxo de dados é muito desigual nas diferentes esferas de poder. De novo, nesse aspecto, o Judiciário volta a sobressair, assim como o Executivo Federal, em relação à criação e adoção de políticas de segurança, equipes de TI bem estruturadas, etc.

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O uso das redes sociais também é pouco interativo. A maioria das prefeituras entrevistadas (84%) posta diariamente em seus perfis. Mas, entre as atividades identificadas, as de maior destaque são a postagem de notícias sobre a prefeitura (95%), a divulgação de serviços ou campanhas (90%), e a resposta a dúvidas e comentários dos cidadãos (77%).

O mesmo acontece com os demais órgãos públicos: 86% dos órgãos públicos federais e estaduais postam em suas redes todos os dias ou pelo menos uma vez por semana. Sobre as principais atividades que desempenham nas redes sociais estão postar notícias sobre os eles (93%), divulgar serviços ou campanhas (90%), e responder a dúvidas e comentários dos cidadãos (82%).

Nuvem
 
Pela primeira vez a pesquisa se debruçou sobre outro dos pilares que suportam as aplicações de smart cities: o uso da nuvem. Nesse pontos, os órgãos públicos estaduais estão mais avançados que os órgãos federais e municipais. Já é relativamente grande entre eles o uso de e-mail na nuvem.

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